Estou em um vôo para Mineápolis, destino final é Wisconsin. Tirando o fato de uma criança que choras por uns cinco minutos e pára, o vôo está bem tranqüilo. Dennis esta sentado a minha frente, não conseguimos um lugar juntos. Estou sentado na janela e ao meu lado está um rapaz que não é americano, mas sim francês, percebi pelo passaporte. Ele esta muito calado fazendo origamis desde que sentou aqui. Ele fez um beija flor, um livro e agora esta terminando algo que parece ser muito mais complicado.
Estou indo conhecer os pais do Dennis. Estou muito excitado e nervoso, não sei o que falar, como falar, o que dizer. Eu tenho a sensação de vou agir como uma criança tímida na frente do seu herói preferido. Depois vamos a Chicago, eles irão me mostrar a cidade. Eu estava fazendo planos de ir dois dias seguidos a Chicago, mas pelo Dennis, só iremos um dia e “olhe lá.” Estou muito mais interessado em cidade grande do que ficar no sítio onde os pais do Dennis moram.
Comecei a ler aqui o avião “The Simple Plan” de Scott Smith. Ele é autor do livro “The Ruins”, um livro que li em português e adorei. Este é o primeiro livro que estou lendo em inglês. Isso é um pouco complicado mas tenho que me acostumar com isso, minhas aulas de Leitura e Redação começam semana que vem e tenho que estar preparado. Ha pouco a aeromoça me perguntou se eu queria cookie ou pretzels, e eu demorei um pouco para responder. Nessas horas minha auto estima cai, fico com a sensação de que ninguém me entende, que já estou quase um ano nesse pais e nada. Mas graças a Deus é só por um momento.
Ontem eu supostamente teria que ter feito uma prova de matemática na faculdade, para nivelamento, pois eu queria começar a cursar Cálculo I. No dia anterior eu fiz um teste na internet e errei quase 60% das questões. Fiquei com medo de tirar uma nota muito baixa e resolvi faltar a prova. Pensando em deixar matemática para outro semestre.
Acho que fiz burrice. No momento eu havia pensado em não me inscrever para esse semestre e estudar fora da faculdade, para tentar tirar uma nota melhor quando eu resolver tentar denovo. Mas pensando bem agora eu deveria ter feito e mesmo que eu fosse nivelado abaixo da media, começaria as aulas na faculdade de qualquer maneira. Enfim, agora vou pensar mais no assunto e caso eu mude de idéia espero ainda dar tempo de fazer mis uma prova quando eu voltar dessas curtas férias.
Caso eu decida cursar matemática próximo semestre, estarei fazendo três matérias e acho que isso é bom. Estou contando os dias para terminar uma faculdade que apenas comecei.
Estou pensando também em me matricular em Artes I, mas minha conselheira na faculdade me desencorajou a fazer isso. Ela disse se eu estou cursando Redação 4, talvez eu não seja bom ainda para acompanhar as aulas de Artes I, pois só tem americano. E quem sabe no próximo semestre arriscar. Uma coisa é certa: se eu resolver cursar matemática eu cancelo Artes I, porque vou ficar sem tempo e sem dinheiro para isso tudo. Mas também penso em me inscrever em Artes I só para saber como é, e se nada der certo, eu me desligo da turma antes de pagar por isso.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
There was a kid in my way
Sometimes we need to stop. Sometimes we need to stop to be stressful, fearful and impatient. If we can't do it, somebody will. In my case, somebody did in a good way.
I had in my mind that all American's kids were little pests... until today.
I was coming back from the gym today when I little blond and cute girl stopped me. She and her mother were working on the front yard and the mother said, "she wants to give you flowers."
I just couldn't believe it. The girl looked like a little angel. I couldn't stop to say thank you to her. I got all little peaces from her hands and saved it. What a sweetest kid in the world! The little flowers are beautifying my dinner table. At the moment when I got the flowers all my thoughts and problems and stresses came to my mind... it was a opportunity to refuse them. I did it. I kick them to hell and came back home full of good energy.
I had in my mind that all American's kids were little pests... until today.
I was coming back from the gym today when I little blond and cute girl stopped me. She and her mother were working on the front yard and the mother said, "she wants to give you flowers."
I just couldn't believe it. The girl looked like a little angel. I couldn't stop to say thank you to her. I got all little peaces from her hands and saved it. What a sweetest kid in the world! The little flowers are beautifying my dinner table. At the moment when I got the flowers all my thoughts and problems and stresses came to my mind... it was a opportunity to refuse them. I did it. I kick them to hell and came back home full of good energy.
domingo, 19 de julho de 2009
Insônia
São tantas coisas na minha cabeça... eu não consigo dormir essa noite. Eu queria ter ido com amanda e a galera pra San Francisco hoje a noite comemorar o aniversário da Mariana, queria ter estudado para a prova final, queria ter passado a tarde no quintal alimentando os peixes e catando as folhas... finalmente depois de uma dia cheio eu ponho minha cabeça no travesseiro como se eu não tivesse feito nada e não consigo dormir.
Tudo passa pela minha cabeça, o meus compromissos de amanhã, e os daqui a uma semana. Eu lembro que amanhã será mais um dia lindo de verão e eu tenho tanto o que fazer... será que vou conseguir ir a academia?
Eu começo a antecipar minha vida dentro da minha cabeça, começo e me estressar previamente e tomar conclusões precipitadas e na maioia das vezes negativas. Para fugir desses pensamentos eu faço uma coisa pior, que é me transpotar para um mundo perfeito e entnao chego ao ponto de me perder entre o imaginário e a relaidade. E ainda estou acordado...
"Talvez se eu comer algo, talvez se eu tomar banho quente, talvez se eu acordar meu amor, talvez se eu der uma volta, talvez se eu escrevesse no meu blog..."
Tudo passa pela minha cabeça, o meus compromissos de amanhã, e os daqui a uma semana. Eu lembro que amanhã será mais um dia lindo de verão e eu tenho tanto o que fazer... será que vou conseguir ir a academia?
Eu começo a antecipar minha vida dentro da minha cabeça, começo e me estressar previamente e tomar conclusões precipitadas e na maioia das vezes negativas. Para fugir desses pensamentos eu faço uma coisa pior, que é me transpotar para um mundo perfeito e entnao chego ao ponto de me perder entre o imaginário e a relaidade. E ainda estou acordado...
"Talvez se eu comer algo, talvez se eu tomar banho quente, talvez se eu acordar meu amor, talvez se eu der uma volta, talvez se eu escrevesse no meu blog..."
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Acontecimentos
Fui hoje reabrir minha matrícula na YMCA, a academia em que malho em Albany.
Estou me sentindo gordo, triste, estressado, sexualmente não-atraente e ainda por cima totalmente sem tempo.
Estou estressado devido a minha entrevista para obter o Green Card, que será dia 26 deste mês. Eu estou tão nervoso! Eu sei que o pior ja passou, mas minha cabeça ainda não pensa assim. Kim esta super confiante, e nem um pouco nervosa. Mas eu estou tenso.
Estou me sentindo sexualmente não atraente porque eu não vou a academia desde quando voltei do Brasil, meados do mês passado. Minha volta a YMCA vai definitivamente acabar com isso. Eu não falo de me sentir mal somente para meu amor, eu gosto quando as pessoas me olham, como todo mundo!
Estou sem tempo devido a faculdade, estou muito enrolado, tenho uma prova por semana e não ha tempo nem para respirar! A primera prova eu tirei um A e a segunda tirei um C. Que decepção... fiquei com a auto estima lá embaixo, agora vou passar o fim de semana estudando.
Estou triste ainda, devido aos acontecimentos no Brasil... só estresse, com minhas coisas, com Eliana, com Robertinha... e perceber que eu realmente estava atrapalhando uma coisa tão bonita que tem tudo pra dar certo me afetou.
Enfim, agora é bola pra frente e esperar que essa maré de negatividades passe logo!
Estou me sentindo gordo, triste, estressado, sexualmente não-atraente e ainda por cima totalmente sem tempo.
Estou estressado devido a minha entrevista para obter o Green Card, que será dia 26 deste mês. Eu estou tão nervoso! Eu sei que o pior ja passou, mas minha cabeça ainda não pensa assim. Kim esta super confiante, e nem um pouco nervosa. Mas eu estou tenso.
Estou me sentindo sexualmente não atraente porque eu não vou a academia desde quando voltei do Brasil, meados do mês passado. Minha volta a YMCA vai definitivamente acabar com isso. Eu não falo de me sentir mal somente para meu amor, eu gosto quando as pessoas me olham, como todo mundo!
Estou sem tempo devido a faculdade, estou muito enrolado, tenho uma prova por semana e não ha tempo nem para respirar! A primera prova eu tirei um A e a segunda tirei um C. Que decepção... fiquei com a auto estima lá embaixo, agora vou passar o fim de semana estudando.
Estou triste ainda, devido aos acontecimentos no Brasil... só estresse, com minhas coisas, com Eliana, com Robertinha... e perceber que eu realmente estava atrapalhando uma coisa tão bonita que tem tudo pra dar certo me afetou.
Enfim, agora é bola pra frente e esperar que essa maré de negatividades passe logo!
sábado, 4 de julho de 2009
Eu preciso te contar algo
My DHS Interview is going to be at the end of the month. Looking trough old emails and love declarations to show, I found this old "desperate declaration" I wrote, when I was moving my love to my place...
Eu preciso contar algo.
Estou com um medo enorme de encontrar você, de mostrar a você o que eu tenho de novo
Estou com um medo enorme de mostrar o que você está deixando de lado para viver comigo.
Estou com um medo enorme de cada esquina do novo bairro, da falta da praia, da falta de badalação, das poucas opções de lugares.
Estou com um medo enorme do barulho da rua, do sol matinal entrando pela janela, do pequeno espaço.
Estou com um medo enorme das brigas familiares freqüentes, da guitarra do Ricardo ou a cantoria do Bruno.
Estou com um medo enorme de não lhe proporcionar sua privacidade, sua independência, suas manias.
Estou com um medo enorme da porta da frente, dos cigarros da Eliana, das idéias da Cila.
Estou com um medo enorme de tudo que você irá passar para se adaptar.
...Mas estou muito feliz.
Estou muito feliz por estar num lugar em que eu possa dormir relaxado.
Estou muito feliz por receber você na porta quando chegar.
Estou muito feliz por termos espaço para nossa Skol.
Estou muito feliz pois podemos passear entre as belas casas do bairro antigo.
Estou muito feliz por você poder mudar tudo que quiser no nosso quarto.
Estou muito feliz por não termos mais as más companhias.
Estou muito feliz pelo clima familiar que vivo agora.
Estou muito feliz por termos nosso quarto.
... Mas estou muito seguro, porque te amo, e vamos fazer de tudo para vivermos feliz, e juntos!
Eu preciso contar algo.
Estou com um medo enorme de encontrar você, de mostrar a você o que eu tenho de novo
Estou com um medo enorme de mostrar o que você está deixando de lado para viver comigo.
Estou com um medo enorme de cada esquina do novo bairro, da falta da praia, da falta de badalação, das poucas opções de lugares.
Estou com um medo enorme do barulho da rua, do sol matinal entrando pela janela, do pequeno espaço.
Estou com um medo enorme das brigas familiares freqüentes, da guitarra do Ricardo ou a cantoria do Bruno.
Estou com um medo enorme de não lhe proporcionar sua privacidade, sua independência, suas manias.
Estou com um medo enorme da porta da frente, dos cigarros da Eliana, das idéias da Cila.
Estou com um medo enorme de tudo que você irá passar para se adaptar.
...Mas estou muito feliz.
Estou muito feliz por estar num lugar em que eu possa dormir relaxado.
Estou muito feliz por receber você na porta quando chegar.
Estou muito feliz por termos espaço para nossa Skol.
Estou muito feliz pois podemos passear entre as belas casas do bairro antigo.
Estou muito feliz por você poder mudar tudo que quiser no nosso quarto.
Estou muito feliz por não termos mais as más companhias.
Estou muito feliz pelo clima familiar que vivo agora.
Estou muito feliz por termos nosso quarto.
... Mas estou muito seguro, porque te amo, e vamos fazer de tudo para vivermos feliz, e juntos!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Hino Nacional volta a ser obrigatório nas escolas municipais do Rio
27/05/09 - 16h43
Resolução foi publicada nesta quarta (27) no Diário Oficial.
Sindicato critica medida. Já para pedagoga, iniciativa resgata patriotismo.
O canto do Hino Nacional Brasileiro voltou a ser obrigatório nas escolas municipais do Rio. A resolução, assinada pela secretária de Educação Claudia Costin, foi publicada nesta quarta-feira (27) no Diário Oficial do município. O texto, que cita a “necessidade de resgatar e despertar no aluno valores cívicos”, estabelece que as escolas da rede pública devem incluir o execução do hino às segundas-feiras, no horário de entrada dos alunos.
A resolução prevê ainda que, durante a solenidade, deverão ser hasteadas as bandeiras nacional, do estado e do município. Caberá às equipes de direção das escolas definir critérios de formação de grupos de alunos que, com os professores, ficarão responsáveis por arriar as bandeiras ao final das aulas. A decisão, no entanto, pode não ser bem recebida por todo o corpo docente.
“Não é o fato de cantar ou não o hino que lhe faz patriota. Ter aulas de todas as disciplinas daria mais sentido de pátria aos alunos. É mais uma decisão supérflua”, diz Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), que acredita que a medida vai sobrecarregar os funcionários. “Na maioria das escolas está faltando funcionários”.
Procurada pelo G1, a Secretaria municipal de Educação informou que o objetivo da medida é promover um novo tipo de educação cívica para reforçar nos alunos as ideias de cidadania, responsabilidade social, e inclusão na sociedade.
Resolução foi publicada nesta quarta (27) no Diário Oficial.
Sindicato critica medida. Já para pedagoga, iniciativa resgata patriotismo.
O canto do Hino Nacional Brasileiro voltou a ser obrigatório nas escolas municipais do Rio. A resolução, assinada pela secretária de Educação Claudia Costin, foi publicada nesta quarta-feira (27) no Diário Oficial do município. O texto, que cita a “necessidade de resgatar e despertar no aluno valores cívicos”, estabelece que as escolas da rede pública devem incluir o execução do hino às segundas-feiras, no horário de entrada dos alunos.
A resolução prevê ainda que, durante a solenidade, deverão ser hasteadas as bandeiras nacional, do estado e do município. Caberá às equipes de direção das escolas definir critérios de formação de grupos de alunos que, com os professores, ficarão responsáveis por arriar as bandeiras ao final das aulas. A decisão, no entanto, pode não ser bem recebida por todo o corpo docente.
“Não é o fato de cantar ou não o hino que lhe faz patriota. Ter aulas de todas as disciplinas daria mais sentido de pátria aos alunos. É mais uma decisão supérflua”, diz Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), que acredita que a medida vai sobrecarregar os funcionários. “Na maioria das escolas está faltando funcionários”.
Procurada pelo G1, a Secretaria municipal de Educação informou que o objetivo da medida é promover um novo tipo de educação cívica para reforçar nos alunos as ideias de cidadania, responsabilidade social, e inclusão na sociedade.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Porn Love Part 01
É impressionante a forma em que a vida nos trata. Precisamos atentar, todos os dias, todos os minutos, em todos os lugares. Um rosto que vc vê na multidão pode ser o rosto que, mais tarde, irá te acompanhar para sempre.
Era carnaval...
Era meu carnaval, pois naquele momento eu me sentia livre, com a vida pulsando em minhas veias. Eu estava "naquela fase", onde podemos tudo, e podemos ter todos. Eu lembro de chegar em Ipanema já bêbado. Tínhamos que descer num ponto um pouco antes, pois a maioria das ruas estavam fechadas por causa do Banda de Ipanema, incluindo a Rua Farme de Amoedo, onde a noite fervia sem hora para acabar. Éramos um grupo feliz, de garotos solteiros, loucos pra se perder em meio daquela multidão.
Foram horas de felicidade, alegria, prazer e cerveja. Eu me sentia liberto. Quantos eu havia beijado? Quantos nós havíamos beijado? Quantos ali foram beijados? Nós contávamos, brincávamos com a disputa de quem beijava mais. E assim foi o carnaval de 2004, do começo ao fim. Não havia muita seleção.
Cansados, meus amigos e eu paramos em frente ao Bar Bofetada, exaustos, mas ainda com bastante fôlego, principalmente para observar os corpos e rostos que passavam por nós. Foi quando Fernando me chamou a atenção para um cara lindo, do outro lado da rua, olhando a gente. Quem era? Ali, ele era só mais um, que iríamos pegar. Fiquei tímido, pois ele era muito "bonitão", tinha um jeito decidido que me encabulou. "Ele está olhando para o Fernando, não para mim", pensei. E assim, incentivamos Fernando a ir atrás do americano bonitão. E ele foi.
No dia seguinte, lá estávamos nós mais uma vez, na mesma praia, na mesma rua, com os mesmos objetivos. Encontramos Fernando e imediatamente já foi comentando como o americano era gostoso, bom de cama, legal, bonito, etc. eu fiquei louco de inveja e, se eu já estava interessado, depois dessa propagando eu perdi a inibição e pedi para o Fernando me apresentar o cara, ele fez mais que isso.
"Meu nome é Dennis", disse ele com aquele sotaque pesado, onde se notava um esforço elevado para se pronunciar corretamente as palavras. Ele era um americano típico: alto, branco, malhado, cabelos curtos e loiros, olhos verdes e sorriso constante, com certeza por se sentir no paraíso. Ele tinha também uma feição um pouco perdida, a mesma feição que todos esses turistas têm quando desembarcam aqui. Um brilho no olhar diante a beleza das praias cariocas e uma preocupação na cabeça diante do temor dos pivetes e meninos de rua.
Fomos para o apartamento do Dennis, ali mesmo em Ipanema, Ele, Fernando e Eu. Confesso que eu estava um pouco nervoso, pois apesar de estar bem empolgado, aquela situação era um pouco embaraçosa. Meu amigo me levando para ficar com o cara que ele estava até então pegando... "será que vamos ter que transar os três?" eu perguntava a mim mesmo. Era a primeira vez que eu me envolvia numa situação tão "armada".
Dennis foi logo tomar um banho. Fernando e eu ficamos folheando um livro de fotos de artes, acho que de Paris, que estava em cima da mesinha de centro. Era um apartamento bonito, mas com vista privilegiada para a favela do Cantagalo. Além de repetir como o Dennis era gostoso, legal e carinhoso, Fernando me disse que ele adorava aquela vista. Achava a favela impressionante. Foi quando Dennis gritou por uma toalha. Fernando e eu nos olhamos, revelando o mesmo pensamento. Ele levantou, foi no quarto, pegou uma toalha e me deu: "Leva pra ele!"
Entrei no banheiro totalmente sem graça. Ele meteu a cara pra fora do box e fez uma cara de espanto. e isso foi horrível. Me senti um idiota, alguém que não deveria nem ter saído de casa naquele dia. Ele riu, provavelmente de sem graça também. Sem saber o que fazer, entreguei a toalha pra ele e fiquei olhando. Imóvel. E ele também. Foi então que dei um rápido, tímido e sem graça beijo nele. Ele não recusou, mas logo após perguntou, bastante confuso, pelo Fernando.
Quando apareci na sala vermelho de vergonha o Fernando me olhou sem entender. "O que houve?" eu disse o que aconteceu e ele disse para eu voltar, mas eu não fui. Ele foi no banheiro e eles conversaram enquanto eu me sentia um completo idiota, querendo correr pela porta.
Fernando me contou depois que ele não era "aquele tipo de cara", que ele não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo ou o porque o Fernando havia feito aquilo. Dennis queria namorar, sério, gostava de beijar vários no carnaval, como qualquer turista no Rio, mas acho que ele e o Fernando estavam agora se conhecendo melhor. Dennis estava errado. Eu estava errado. Todos nós estávamos errados. Seguimos em frente curtindo o último dia de carnaval que ainda restava. Nesse último dia não encontrei o Fernando, e nem sinal de Dennis.
Meses e mais meses se passaram, cada um mais intenso que o outro. Eu era aquele explosão de sexualidade. Estava numa fase muito boa, havia ingressado no ativismo homossexual no Grupo Arco Íris, e minha mãe acabou descobrindo. Depois de umas brigas feitas acabei saindo de casa e indo morar de favor com um amigo. Por um lado foi muito triste, mas por outro foi um "tapa da vida" que me fez crescer mais que nunca.
Fazias novos amigos quase todos os dias e minha vida estava caminhando muito bem, ainda com alguma inocência em relação a certos atos. Tive uns namorados, romances e amores, e principalmente concretizei alguns conceitos.
E finalmente chegou o carnaval 2005! Eu estava envolvido em um namoro complicado, arrastando e mantendo vivo até o ultimo minuto. Ele e eu passamos o carnaval em Copacabana, na casa de um amigo meu, e saímos para Banda de Ipanema apenas um dia, e naquela folia, diante de tanta tentação. Muitas vontades e nenhuma ação, eu lembrei do Dennis. Lembro-me comentando sobre ele para meu namorado, explicando o que havia acontecido e rindo. Lembrei de tudo, e foi tão gostoso lembrar daquela situação, antes tão constrangedora e agora tão hilária.
De repente Dennis estava lá, dançando, sem camisa, bêbado, no meio da multidão. Fiquei feliz em vê-lo, meu namorado e eu paramos há alguns metros de distância e apontei para ele; "É ele, o Dennis, olha!" mas meu namorado não me deu muita atenção. Fiquei então olhando o Dennis passar, dançando todo feliz. Ele olhou pra mim e riu surpreso, mas não pode parar devido a grande multidão que vinha passando. Eu retribuí com um grande sorriso, como se eu desse boas vindas ao Rio denovo. "Será que ainda tenho chances de ficar com ele?".
No dia seguinte fomos a praia. Com muita ressaca, sol e mais cerveja. Estava triste, o carnaval estava passando diante dos meus olhos e eu estava ali, podendo estar com meus amigos saindo por ai, em compensação eu estava ali do lado de um garoto que eu nem sei mais o que eu sentia. Havíamos brigado na noite anterior porque eu descobri que ele ficou com um cara dentro da casa do meu amigo. E eu nem fiquei com ninguém, nem foi um carnaval muito legal. Encontrei o Fernando, mais forte, mais bonito, ficando com um mexicano. Era muito engraçado como ele gostava de turistas. Ficava todo feliz enquanto eu preferia mais um brasileiro mesmo.....
Era carnaval...
Era meu carnaval, pois naquele momento eu me sentia livre, com a vida pulsando em minhas veias. Eu estava "naquela fase", onde podemos tudo, e podemos ter todos. Eu lembro de chegar em Ipanema já bêbado. Tínhamos que descer num ponto um pouco antes, pois a maioria das ruas estavam fechadas por causa do Banda de Ipanema, incluindo a Rua Farme de Amoedo, onde a noite fervia sem hora para acabar. Éramos um grupo feliz, de garotos solteiros, loucos pra se perder em meio daquela multidão.
Foram horas de felicidade, alegria, prazer e cerveja. Eu me sentia liberto. Quantos eu havia beijado? Quantos nós havíamos beijado? Quantos ali foram beijados? Nós contávamos, brincávamos com a disputa de quem beijava mais. E assim foi o carnaval de 2004, do começo ao fim. Não havia muita seleção.
Cansados, meus amigos e eu paramos em frente ao Bar Bofetada, exaustos, mas ainda com bastante fôlego, principalmente para observar os corpos e rostos que passavam por nós. Foi quando Fernando me chamou a atenção para um cara lindo, do outro lado da rua, olhando a gente. Quem era? Ali, ele era só mais um, que iríamos pegar. Fiquei tímido, pois ele era muito "bonitão", tinha um jeito decidido que me encabulou. "Ele está olhando para o Fernando, não para mim", pensei. E assim, incentivamos Fernando a ir atrás do americano bonitão. E ele foi.
No dia seguinte, lá estávamos nós mais uma vez, na mesma praia, na mesma rua, com os mesmos objetivos. Encontramos Fernando e imediatamente já foi comentando como o americano era gostoso, bom de cama, legal, bonito, etc. eu fiquei louco de inveja e, se eu já estava interessado, depois dessa propagando eu perdi a inibição e pedi para o Fernando me apresentar o cara, ele fez mais que isso.
"Meu nome é Dennis", disse ele com aquele sotaque pesado, onde se notava um esforço elevado para se pronunciar corretamente as palavras. Ele era um americano típico: alto, branco, malhado, cabelos curtos e loiros, olhos verdes e sorriso constante, com certeza por se sentir no paraíso. Ele tinha também uma feição um pouco perdida, a mesma feição que todos esses turistas têm quando desembarcam aqui. Um brilho no olhar diante a beleza das praias cariocas e uma preocupação na cabeça diante do temor dos pivetes e meninos de rua.
Fomos para o apartamento do Dennis, ali mesmo em Ipanema, Ele, Fernando e Eu. Confesso que eu estava um pouco nervoso, pois apesar de estar bem empolgado, aquela situação era um pouco embaraçosa. Meu amigo me levando para ficar com o cara que ele estava até então pegando... "será que vamos ter que transar os três?" eu perguntava a mim mesmo. Era a primeira vez que eu me envolvia numa situação tão "armada".
Dennis foi logo tomar um banho. Fernando e eu ficamos folheando um livro de fotos de artes, acho que de Paris, que estava em cima da mesinha de centro. Era um apartamento bonito, mas com vista privilegiada para a favela do Cantagalo. Além de repetir como o Dennis era gostoso, legal e carinhoso, Fernando me disse que ele adorava aquela vista. Achava a favela impressionante. Foi quando Dennis gritou por uma toalha. Fernando e eu nos olhamos, revelando o mesmo pensamento. Ele levantou, foi no quarto, pegou uma toalha e me deu: "Leva pra ele!"
Entrei no banheiro totalmente sem graça. Ele meteu a cara pra fora do box e fez uma cara de espanto. e isso foi horrível. Me senti um idiota, alguém que não deveria nem ter saído de casa naquele dia. Ele riu, provavelmente de sem graça também. Sem saber o que fazer, entreguei a toalha pra ele e fiquei olhando. Imóvel. E ele também. Foi então que dei um rápido, tímido e sem graça beijo nele. Ele não recusou, mas logo após perguntou, bastante confuso, pelo Fernando.
Quando apareci na sala vermelho de vergonha o Fernando me olhou sem entender. "O que houve?" eu disse o que aconteceu e ele disse para eu voltar, mas eu não fui. Ele foi no banheiro e eles conversaram enquanto eu me sentia um completo idiota, querendo correr pela porta.
Fernando me contou depois que ele não era "aquele tipo de cara", que ele não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo ou o porque o Fernando havia feito aquilo. Dennis queria namorar, sério, gostava de beijar vários no carnaval, como qualquer turista no Rio, mas acho que ele e o Fernando estavam agora se conhecendo melhor. Dennis estava errado. Eu estava errado. Todos nós estávamos errados. Seguimos em frente curtindo o último dia de carnaval que ainda restava. Nesse último dia não encontrei o Fernando, e nem sinal de Dennis.
Meses e mais meses se passaram, cada um mais intenso que o outro. Eu era aquele explosão de sexualidade. Estava numa fase muito boa, havia ingressado no ativismo homossexual no Grupo Arco Íris, e minha mãe acabou descobrindo. Depois de umas brigas feitas acabei saindo de casa e indo morar de favor com um amigo. Por um lado foi muito triste, mas por outro foi um "tapa da vida" que me fez crescer mais que nunca.
Fazias novos amigos quase todos os dias e minha vida estava caminhando muito bem, ainda com alguma inocência em relação a certos atos. Tive uns namorados, romances e amores, e principalmente concretizei alguns conceitos.
E finalmente chegou o carnaval 2005! Eu estava envolvido em um namoro complicado, arrastando e mantendo vivo até o ultimo minuto. Ele e eu passamos o carnaval em Copacabana, na casa de um amigo meu, e saímos para Banda de Ipanema apenas um dia, e naquela folia, diante de tanta tentação. Muitas vontades e nenhuma ação, eu lembrei do Dennis. Lembro-me comentando sobre ele para meu namorado, explicando o que havia acontecido e rindo. Lembrei de tudo, e foi tão gostoso lembrar daquela situação, antes tão constrangedora e agora tão hilária.
De repente Dennis estava lá, dançando, sem camisa, bêbado, no meio da multidão. Fiquei feliz em vê-lo, meu namorado e eu paramos há alguns metros de distância e apontei para ele; "É ele, o Dennis, olha!" mas meu namorado não me deu muita atenção. Fiquei então olhando o Dennis passar, dançando todo feliz. Ele olhou pra mim e riu surpreso, mas não pode parar devido a grande multidão que vinha passando. Eu retribuí com um grande sorriso, como se eu desse boas vindas ao Rio denovo. "Será que ainda tenho chances de ficar com ele?".
No dia seguinte fomos a praia. Com muita ressaca, sol e mais cerveja. Estava triste, o carnaval estava passando diante dos meus olhos e eu estava ali, podendo estar com meus amigos saindo por ai, em compensação eu estava ali do lado de um garoto que eu nem sei mais o que eu sentia. Havíamos brigado na noite anterior porque eu descobri que ele ficou com um cara dentro da casa do meu amigo. E eu nem fiquei com ninguém, nem foi um carnaval muito legal. Encontrei o Fernando, mais forte, mais bonito, ficando com um mexicano. Era muito engraçado como ele gostava de turistas. Ficava todo feliz enquanto eu preferia mais um brasileiro mesmo.....
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